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REVIEW: Olympus Trip 35

  • Foto do escritor: Bixa Analógica
    Bixa Analógica
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

A câmera analógica projetada para fotografia de viagens

Olympus Trip 35 / Foto Digital: Erikson Veríssimo
Olympus Trip 35 / Foto Digital: Erikson Veríssimo

HISTÓRIA


A Olympus Trip 35 é uma analógica lançada em 1968,  após ser projetada em meio ao Ano Internacional do Turismo (1967) e o Milagre Econômico Japonês (1955-1973), com mais de 10 milhões unidades vendidas de 1968 até 1984. Era uma oportunidade única de mostrar aos não-japoneses que é possível fazer registros afetivos de destinos turísticos, sem necessariamente ter grandes conhecimentos técnicos, já que a economia do Japão despontava e os seus cidadãos passavam a circular pelo mundo com seus produtos nacionais. Pensando nisso, a Olympus criou uma analógica nomeada como “viagem” 35 (tradução US-BR: Trip = viagem), uma câmera de filme 35mm pensada para fotografia de viagens, e com um design em em estrutura metálica, com ligas de alumínio, e revestida em vinil sintético (leatherette). Além  de possuir os seguintes recursos: a) lente zuiko 40mm f/2.8; b) exposição automática sem uso de bateria, com base nas fotocélula de selênio; c) velocidades de obturador variáveis entre 1/40 s e 1/200 s; d) diafragma automático entre f/2.8 e f/22; e) foco por zona; e f) a famosa bandeira vermelha que impede fotos em baixa luminosidade. Em seu lançamento, a Olympus Trip 35 era vendida por cerca de US$ 60 no mercado norte-americano (1968), valor que, corrigido pela inflação, equivale hoje a aproximadamente US$ 570, ou cerca de R$ 3.000 em conversão direta. O faturamento bruto pode ser estimado em algo entre US$ 600 milhões a US$ 1 bilhão em valores da época (o que corresponderia a bilhões de dólares em valores atualizados), sendo um dos produtos mais bem-sucedidos financeiramente de toda a história da Olympus.

Segue abaixo algumas observações da Olympus Trip 35. Fotômetro de selênio (automatização do diafragma-obturador e a bandeira vermelha) O Selênio é um elemento químico da tabela periódica (Se34) que, ao ser exposto à luz, gera uma corrente elétrica proporcional à intensidade luminosa. Ele foi amplamente utilizado em fotômetros analógicos antes da popularização dos sensores de silício. Na Olympus Trip 35, esse fotômetro de selênio está integrado ao sistema de exposição automática. Assim aciona-se automaticamente o diafragma–obturador, regulando a abertura e a velocidade sem necessidade de bateria. E quando a luminosidade é insuficiente para garantir uma exposição mínima adequada, o sistema ativa a chamada “bandeira vermelha”, que bloqueia de imediato o disparo como mecanismo de proteção contra a subexposição (fotos escuras). Por isso, a Trip 35 foi um sucesso: por ser uma das primeiras analógicas automatizadas da história da fotografia analógica, com uma tecnologia muito inteligente. Foco por zona O temido foco por zona pode ser visto como um excelente exercício de consciência corporal, na medida em que obriga o fotógrafo a estimar distâncias com base em sua própria altura. O ato de fotografar torna-se uma simbiose analógica entre quem fotografa e o assunto a ser fotografado. E a imagem deixa de ser apenas capturada e passa a ser construída pela presença concreta de quem eterniza um instante da vida. É o que diz o fotógrafo analógico Erikson Veríssimo: "Quando estou com dificuldade de saber a minha distância até o ponto que eu quero focar, me imagino deitado no chão a minha frente. Tenho 1,72m. Então se cabem dois de mim deitados na minha frente até o objeto, significa que estou a 3,44m [em média]. Tenho uma teoria que todo mundo tem uma capacidade inata de consciência espacial do seu próprio corpo. De saber o próprio tamanho individualmente"

RELATO PESSOAL


Eu e Erikson já estávamos muito animados com a fotografia analógica e registrando nossas vidas pandêmicas com as câmeras analógicas de meu pai e de meu tio. Disto, compramos nossa primeira analógica em meados de 2020 de um vendedor de antiguidades de Porto Alegre.


Não entendíamos muito de analógicas como hoje, mas o suficiente  para saber que ela estava funcionando quase que perfeitamente, bandeira vermelha OK, fotômetro OK, diafragma OK, obturador OK, lente OK, avanço do filme aparentemente OK (depois descobrimos que as vezes travava e que rendeu lindas duplas exposições para nós).


Tiramos algumas fotos em casa e fomos fotografar mais na Praia do Lami. Foi mágico ver que uma analógica funcionava sem nenhuma bateria, apenas movimentos mecânicos e um fotômetro movido a fotocélulas de selênio.


Era lindo observar as leis da fotografia por meio das fotocélulas do selênio, brincávamos em ver o diafragma se abrindo ao máximo em ambientes escuros, e ele fechadinho na luz do sol.


Registramos lindas fotos de momentos especiais que estávamos vivendo juntos e usamos a trip 35 durante um ano inteiro. Era lindo demais!


 
 
 

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