top of page

Nuvens digitais podem virar LGBTfóbicas?

Foto do escritor: Bixa Analógica
Bixa Analógica
há 5 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Teoria da Era das Trevas Digitais Queer ressurge com a possibilidade de o Brasil ter um Presidente da República de extrema-direita


Fotografia Analógica: Alexandre do Carmo
Fotografia Analógica: Alexandre do Carmo

Com as suspeitas de que as big techs se aliaram ao filho de Bolsonaro para elegê-lo, por meio de seus aparatos tecnológicos, que são consumidos durante 9h13 minutos pela população brasileira, levantaram-se temores de que estaríamos próximos da Era das Trevas Digitais Queer*. 


A teoria prevê o apagamento da memória digital LGBT+ por big techs aliadas a governos de extrema-direita, em que Jasper Verhoef denuncia a “negligência” com a memória LGBTQIAPN+ que “contribuiu para uma ‘era das trevas digitais queer’, perpetuando a aniquilação simbólica das pessoas LGBTQ no registro histórico”. [1]


Sobre o tema, o fotógrafo analógico Erikson Veríssimo sempre se pergunta, “e se big techs usarem IA para deletar diversas fotos digitais LGBT+?”. Pode até parecer teoria de conspiração o questionamento do artista visual formado na UFRJ. Mas, neste ano de 2026, mais de 100 contas LGBT+ foram banidas do IG*, sem direito à defesa e ao amplo contraditório, alegando “descumprimento dos termos de uso”. 


Tais remoções arbitrárias, inclusive, foram alvo de questionamentos pelo Ministério Público Federal (MPF), o qual teria questionado se “os bloqueios decorreram de mecanismos automatizados de detecção de conteúdo” [2]. Logo, não parece absurdo pensar que essa Era das Trevas Digitais possa se aprofundar e ir para o mundo das imagens digitais armazenadas em serviços de nuvens, cujos computadores estão em prédio físicos de empresas estrangeiras.


E se levarmos em conta que Trump já deletou parte da memória LGBTQIAPN+, quando emitiu ordens executivas determinando a remoção de termos como "transgênero", "gay", "lésbica", "bissexual" e "orientação sexual" de arquivos públicos digitais, páginas oficiais da Casa Branca e de agências do governo federal (incluindo os Departamentos de Estado e de Defesa). [3]


Ou seja, tal medida terá um impacto enorme em termos de pesquisa de metadados, causando a invisibilização da história LGBT+ estadunidense, já que não será possível quantificar políticas públicas LGBT+ realizadas ao longo da história ianque, um dano imensurável para esta comunidade.


Pode-se dizer o início da Era das Trevas Digitais, e que pode chegar ao Brasil. Ainda mais se considera que F. Bolsonaro já demonstrou desprezar LGBT+ ao cháma-los de “v1adinhos”, quando insinuou, em 2012, com o finado Olavo de Carvalho que o movimento LGBT+ quer legalizar a pedofilia via “legislação gayzista” e disse que as Paradas do Orgulho são a “decadência”.


Vale lembrar o alerta do jurista Alexandre Carmo sobre o fato que “Não há nenhuma legislação federal que garanta o casamento entre pessoas do mesmo gênero. Não há nenhuma lei que criminalize a homolesbotransfobia. Estes direitos LGBT+ foram reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal.”


Assim, os fotógrafos da Bixa Analógica, Alexandre do Carmo e Erikson Veríssimo, questionam-se: “Quem garante que imagens digitais de casamentos LGBT+, armazenadas em nuvens de big techs (aliadas a movimentos de ultradireita), permanecerão vivas em um futuro distópico?”


Diante da Era das Trevas Digitais, o Brasil precisa que o arco íris sobreviva ao dilúvio digital, com uma Política Nacional de Memória LGBT+ que crie mecanismos para evitar a perda eterna de memória imagética. Utilizando-se de tecnologias analógicas em coexistência com as tecnologias cibernéticas, atendendo ao Princípio da Coexistência Tecnológica.


Referências Bibliográficas


[1] Manifesto de Jasper Verhoef sobre a Era das Trevas Digitais Queer https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/24701475.2024.2357897#abstract


[2] MPF apura bloqueio arbitrários de perfis LGBT+ realizados pela Meta


[3] Trump remove termos como gay, lésbica, transgênero, bissexual e LGBTQ dos sites da Casa Branca e de agências federais


 
 
 

Comentários


bottom of page