Gravuras analógicas marcam presença na 10ª Bienal da EBA - UFRJ
- Bixa Analógica

- 19 de jan.
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Atualizado: 19 de jan.
Muito antes da fotografia e da impressão industrial, a gravura opera há milênios um sistema sofisticado de reprodução de imagens. De selos sumérios a matrizes em metal, madeira, pedra, e demais suportes variados, essa tecnologia estruturou modos de registrar o mundo e circular imagens.
A UFRJ, ciente da importância da gravura analógica, mantém um bacharelado específico em gravuras, e na 10ª Bienal da EBA, obras de arte que utilizaram esse suporte marcaram presença na mostra, mostrando que as gravuras são uma linguagem contemporânea.
Uma arte que valoriza a materialidade das coisas, que permite que artistas utilizem de materiais que estão ao seu redor sejam partícipes de suas obras de arte.
É o caso de Erikson Veríssimo que, em "Ibirapitanga", utiliza folhas de pau-brasil para recriar a bandeira nacional para demonstrar "as profundas marcas da transformação do território nacional", em gravura em metal (técnica originária do século XV d.C.)
Sarah Chrispino, de maneira semelhante, em "Jardim Selvagem" utilizou as folhas do jardim da EBA para dar protagonismo para as plantas que "crescem ao nosso redor":
Por seu turno, Vitória Alves deseja demonstrar que a gravura também pode representar "um recorte de fotografia", com sua gravura de pombos "depois de uma oferenda".
Independente do conceito das obras artísticas, há um elemento em comum: a materialidade - o "ponto alto" das gravuras - nos dizeres de Marcos Abreu (professor de gravura da UFRJ). Abreu afirma que, na arte contemporânea, a gravura "amplia experimentações materiais e conceituais, tensiona original e cópia e dialoga com política, memória e circulação de imagens”.
Fato é que a Bienal da EBA mostrou que as gravuras analógicas permanecem vivas e atuantes na contemporaneidade.
OPINIÕES NA ÍNTEGRA:
Erikson Veríssimo:
" Em "Ibirapitanga" recrio a bandeira nacional com partes da matéria que nomeou o país: folhas de pau-brasil. Escolho a gravura em metal ao traçar poéticas entre o processo da técnica com as profundas marcas da transformação do território nacional (das folhas que prensei à corrosão intencional da matriz de metal). "

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Sarah Chrispino:
" Em Jardim Selvagem as protagonistas são as plantas que crescem ao nosso redor. A xilogravura foi essencial, pois permite processos de impressão únicos, como o uso de máscaras e monotipia, gerando resultados inalcançáveis em outras técnicas. Durante o processo eu saía do ateliê para colher folhas secas no jardim da EBA e usá-las diretamente na impressão. É gratificante registrar, através dessas texturas e elementos, o momento em que estou nesse espaço. "

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Vitória Alves:
" Durante o meu processo criativo eu quis dividir as narrativas, na xilogravura eu criei personagens que misturavam cenas do cotidiano, passando pela fé e a rotina. Nesta linguagem, além do personagem principal ser o protagonista, o preto e branco e a textura da madeira complementam a criação da obra. Já na gravura em metal eu quis explorar a possibilidade de construir camadas de tons e desta vez, o espaço que toda a narrativa criada para as gravyras em xilo são passadas para o metal, mas sem personagens, apenas o recorte da ação. Na Gravura: O Depois, exposta na bienal da eba, ela representa um recorte de uma fotografia de pombos em alguidares, em uma Encruzilhada, depois de uma oferenda feita. A pergunta que faço é, o que acontece depois? Para quem fica o resto? Fé e cotidiano, que as vezes nos passam despercebidos, mas fazem parte do contexto geral da nossa vida, nos afetando direta ou indiretamente. "

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Marcos Abreu (artista e professor de gravura da UFRJ): artista e professor de gravura da UF
" Gravura é um conjunto de processos de gravação e impressão, ou melhor, de transferência de imagem, que gera múltiplos a partir de uma matriz. No desenvolvimento do trabalho, o artista pode explorar uma materialidade singular. Para mim, o ponto alto da gravura é sua materialidade, sua qualidade de superfície. Na arte contemporânea, amplia experimentações materiais e conceituais, tensiona original e cópia e dialoga com política, memória e circulação de imagens. "
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